O que levar em consideração na hora de por sua cadela para cruzar

Publicado em: 06/07/2014 | Categoria: Dicas Pets

Cruzar ou não??

Quando decidimos cruzar uma cadela nos envolvemos tanto pensando nos lindos filhotes que virão, que nos esquecemos de pensar em algumas circunstâncias e atitudes que devem ser tomadas, antes, durante e depois da cruza. Na verdade, devemos pensar muito bem se podemos cruzar essa cadela. Apesar de a natureza ser soberana, alguns contratempos podem ocorrer, portanto temos que avaliar se poderemos arcar com isso, e não digo só financeiramente, mas fisicamente, psicologicamente.

Temos que imaginar que coisas que não estavam nos planos podem acontecer, por exemplo, necessidade de uma cesariana, a rejeição dos filhotes pela mãe, falta de leite e até excesso de leite é um problema. Se caso necessário, você puder dispor de praticamente 24 horas para cuidar dos filhotes rejeitados ou puder pagar e cuidar da cesariana da sua filha, então tudo ótimo...vamos cruzá-la!!!!

Primeiro é importante ressaltar que não é indicado cruzar antes do 3º (terceiro) cio. Em média com um ano de idade a cadela atinge a idade adulta, portanto devemos esperar que ela “amadureça”, desenvolva-se, para que possa ter uma prenhez mais tranquila.

Antes que o cio comece é importante já ter em vista o cão que será o pai dos seus netos, se deixar para última hora talvez não faça uma boa escolha. Portanto visite vários cães, observe seu comportamento, pesquise sobre padrão de raça e repare se ele tem bons traços, o tamanho também é importante, dê preferência para cães com tamanho iguais ou pouco menores que a fêmea, cães muito grandes podem gerar filhotes grandes o que pode dificultar o parto, peça exames que comprovem que ele não tenha alguma doença genética, como displasia coxofemoral, criptorquidismo e brucelose. Escolhido o macho agora é hora de colocar vacinas em dia, e aguardar o tão esperado cio. Com os primeiros sinais do cio (inchaço da vulva, sangramento) é importante fazer a vermifugação da fêmea. O dia ideal para a cruza pode ser diagnosticado através de uma citologia vaginal, realizada por qualquer laboratório veterinário ou clínica que tenha um microscópio e coloração rápida de lâmina ou pelo comportamento da fêmea. A fêmea vai para a casa do macho para que ela seja “dominada”, já que não é seu ambiente. Ela pode ir dois dias seguidos ou em dias alternados. Os passeios e banhos não precisam ser suspensos, porém se não tem o costume de levá-la passear, agora não é a melhor hora.

Após 22-25 dias da cruza já é possível fazer um ultrassom para confirmação da prenhez. Diferente do que as pessoas pensam o ultrassom não é o melhor método para quantificar filhotes, ele consegue apenas estimar. Para saber quantos filhotes têm, o ideal é fazer uma radiografia com 40 a 45 dias de gestação. Confirmada a gestação, a fêmea deve receber ração de filhote ou específica para cadelas prenhas.

Faltando uma semana para o tão esperado parto, prepare uma maternidade, escolha um lugar de fácil acesso, sem corrente de vento, sem luz solar direta, coloque cobertores e protetores laterais, deixe que a fêmea durma lá para que ela se habitue ao novo cantinho.

Dois dias antes do parto ela ficará impaciente, perambulando para todos os lados, um dia antes e até o parto ela deixará de comer, tudo por conta de contrações uterinas que a incomodam. No momento do parto ela ficará bem ofegante e as contrações abdominais podem ser percebidas. É indicado que o proprietário fique junto da cadela, para dar-lhe segurança e observar se tudo corre como o planejado. Após as contrações, um filhote nasce de cada vez, envolvido pela placenta, se tudo correr bem não interfira e não se assuste, pois a fêmea come a placenta para liberar o filhote e adquirir nutrientes necessários para o próximo que virá. Como dito anteriormente a natureza é soberana e a cadela corta o cordão umbilical e direciona o filhote para sua primeira mamada. O intervalo entre os nascimentos pode variar de 10 minutos até 2 horas. Fique de olho se a mais nova mamãe não deita ou pisa em cima dos filhotes enquanto tem contrações. As contrações doem e por esse motivo às vezes elas não se atentam aos já nascidos.

O acompanhamento veterinário antes, durante e depois da gestação é primordial para evitar sustos no futuro. Quando sua cadela entrar em trabalho de parto, avise seu veterinário de confiança para ele ficar atento caso haja alguma emergência. Se notar algo diferente não hesite em telefonar, independente do horário, pois procedimentos realizados a tempo podem salvar a vida da mamãe e dos nenês.

 

Dica da Dra. Carolina V. B. Ferraz
CRMV-SP:22.835





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